Um Crime Americano – Crítica

2008 agosto 21

O ano é 1965, o lugar Indianápolis (EUA), mas poderia ser agora mesmo, aí no seu vizinho. O que você faria?

Um Crime Americano conta a história de Sylvia (Ellen Page) e Jenny Likens (Hayley McFarland) duas irmãs que são deixadas aos cuidados de Gertrude Baniszewski (Catherine Keener – excelente no papel).

Elas são filhas de um casal de artistas circenses que combinam com Gertrude a estadia das meninas em troca de um pagamento de U$ 20,00 semanais.

Nos primeiros vinte minutos de filme temos a introdução aos personagens, Gertrude e seus sete filhos, seus relacionamentos conturbados, problemas financeiros e seu trabalho incessante para saná-los. Sua filha mais velha Paula (Ari Graynor) que às escondidas mantem um caso com um homem casado.
Jenny Likens, irmã de Sylvia, que possui um problema de locomoção decorrente de poliomielite e a própria Sylvia.

Sylvia se mostra uma pessoa muito forte, apesar de ter apenas 16 anos e quando Gertrude começa as torturas, intervém e pede para que seja castigada no lugar de sua irmã.

O filme dá um alerta à sociedade mostrando por muitas vezes os vizinhos escutando os gritos de dor da menina e adotando o estilo “Não vamos nos meter na vida dos outros!”.

Mostra ainda os filhos de Gertrude, com destaque especial ao pequeno Johnny (Tristan Jared) e sua irmã Paula, sendo esta a principal culpada pelos maus-tratas, sendo obrigados por ela a participarem das sessões de tortura.

A passividade coletiva talvez seja o que mais incomoda no filme. Gertrude tem duas filhas já adolescentes que apesar de presenciarem e por vezes se incomodarem com as torturas, não fazem nada para mudar a situação. Os vizinhos também nada fazem, aliás, alguns até participam das sessões de socos, chutes e queimaduras.

Impressionante também é a participação dos filhos, no começo obrigados pela mãe, após isso é possível ver até certo prazer nas atitudes agressivas.

Não tem como não lembrar do caso da menina goiana que era mantida presa e sofria torturas de Silvia Calabresi e sua empregada Vanice Maria. Não dá para imaginar o horror que pode ser estar numa situação como essa.

Catherine Keener está esplêndida como a algoz. Não dá para não ter ódio daquela mulher. Sua tosse incessante, sua amargura, tudo está em dose certa.

Ellen Page como sempre um show a parte. Encarnou bem o papel da inocente Sylvia e a única coisa que eu conseguia fazer era torcer para que ela se livrasse do cativeiro, desse uma de Hayley Stark (do filme Menina má.com) e acabasse com a raça de Gertrude.

Após o filme, fui pesquisar sobre o real caso e vi que Gertrude pegou 20 anos de prisão (saiu por bom comportamento) e morreu de câncer no pulmão em 1990. Sua filha mais velha e até um dos menores também cumpriram pena (nisso eu invejo a justiça americana) juntamente com alguns dos vizinhos.

O filme ainda deixa um sutil questionamento sobre “Porque Deus deixa isso acontecer?”, que acho muito polêmico mas de importante reflexão.

Como se pode notar é um forte drama, então se está pensando em relaxar com a namorada (o) passe longe, vá ver “O Procurado” e deixe este filme para assistir uma outra hora.

Eu recomendo!

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